Domingo, 19 de Setembro de 2010

PARADIS TZIGANE - CIRCO ROMANÈS

Esqueçam tudo o que já viram de novo circo ou circo contemporâneo. Depois esqueçam tudo o que já viram de circo tradicional. Isto é totalmente outra coisa!

Largo do Intendente, 21h30.Uma fila grande e parada para tentar arranjar bilhetes. Ouvem-se rumores de que já não os há "nem para hoje nem para amanhã!!!", mas num circo cigano isso não interessa nada. As pessoas vão entrando até não caber mais ninguém no pequeno chapiteau. No meio delas estamos nós, agora já sentadas no chão, numa das laterais e bem junto ao palco, vulgo estrado de madeira. No palco há uma grande cortina bordeaux "à antiga" que o separa dos bastidores. O dono do circo vem à boca de cena dar-nos as boas vindas, avisar que não se pode filmar nem fotografar com flash (razão para as minhas fotos estarem como estão), e dar início ao espectáculo. Os músicos alinham-se ao longo da cortina e ao lado deles senta-se a família: as mulheres com os filhos e netos ao colo e os seus maridos. De repente já não estamos no Largo do Intendente ou numa tenda de circo, nem estamos ali só para ver um espectáculo. Já fazemos parte daquele serão familiar onde tudo é genuíno e intímo, desde os gritos de encorajamento num número mais difícil, ao beijo que o pai dá à filha quando ela desce no tecido de cabeça para baixo, ao amor que se sente quando a cantora aponta para o violinista e diz: c'est mon papa. E os figurinos à lei do desenrasca também são genuínos, e a pouca técnica e os movimentos desengonçados dos mais novos também são genuínos, e a música... E podia falar de tantas outras coisas, do malabarista e da ruiva na corda bamba, da rapariga do tecido que não parava de ajeitar o vestido, do contrabaixista que tinha um groove incrível e sapatos brancos num fato todo preto, e da família inteira atenta e orgulhosa, e das mulheres que não se levantaram das suas cadeiras a não ser no fim para agradecer.


No final, ficou uma saudade enorme de dançar no ar e aquela vontade de me juntar ao circo. Mas isso já são outras histórias mais antigas...

0 comentários: